Palacete Aboim e (Parreira de) Lacerda

Tipologia:Património Civil.

Localização:União de Freguesias de Santiago do Cacém, Santa Cruz e S. Bartolomeu da Serra, cidade de Santiago do Cacém, Rua da Misericórdia (Praça Conde de Bracial).

Georreferenciação:38º00’55.06”N; 8º41’48.11’’W.

Datação:Século XVI - séculos XVII, XIX, XX.

Propriedade:Privada.

Proteção:O edifício encontra-se dentro da Zona Especial de Proteção do Pelourinho de Santiago do Cacém.

O edifício encontra-se normalmente fechado ao público.

Resenha Histórica:

A origem deste palacete é muito mais antiga do que a sua fachada oitocentista, integrando elementos dos séculos XVI e XVII, assim como um portal gótico na fachada voltada ao logradouro. Ao longo dos séculos, possivelmente por aquisição, foram sendo agregados vários edifícios em redor do principal, o que acabou por dar um caráter um pouco labiríntico ao seu interior, unindo corpos de diferentes épocas e cotas. A última intervenção importante no edifício ocorreu no início do século XX, quando recebeu o último piso no corpo da fachada principal, tornando-se então num dos edifícios mais altos do Centro Histórico de Santiago do Cacém.

Possivelmente, o edifício (ou parte dele) poderia já ser habitado pela família Reboredo no início do século XVIII, pois encontramos em 1721 um Filipe do Reboredo a residir na Rua Direita (hoje Rua Dr. Francisco Beja da Costa), sendo este um dos arruamentos para onde este palacete tem igualmente fachadas públicas. A ser assim, o edifício poderá ter entrado por herança na posse do casal João Parreira da Lança Nobre Pacheco (1794-1854) e D. Maria Cristina Luzeiro do Reboredo Infante de Lacerda (c.1795-?), membros de duas importantes famílias fidalgas santiaguenses. O certo é que o neto deste casal, o Dr. António Parreira de Aboim Luzeiro Infante de Lacerda (1862-1942), lá residia no início do século XX, devendo-se a ele a última ampliação do edifício e a colocação da pedra de armas.

Em 1977, o Palacete, já desabitado, foi cedido à Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém, para nele se instalar o “Abrigo de Santa Maria”, lar para mulheres idosas e inválidas. Com a saída do lar, na década de 90 do século XX, os seus vários proprietários (descendentes do Dr. António Parreira de Lacerda), venderam-no ao casal Dr. Luís Gonçalves Saias e Dr.ª Madalena Martins Ribeiro Modesto Saias.

Descrição da Fachada Principal:

Embora localizado já na pequena Rua da Misericórdia, a frontaria do edifício encontra-se efetivamente na Praça do Pelourinho. Esta frontaria divide-se em três registos, separados por molduras de argamassa. Ao nível do piso térreo, rasga-se a entrada principal da casa, no centro, com moldura em cantaria e bandeira gradeada. Abaixo da porta, a nascente, estão duas janelas retangulares com guardas em ferro forjado encimadas por outras janelas quadradas. A poente, acima da porta, repete-se apenas o módulo do par de janelas quadradas. No piso nobre, apresentam-se cinco portas janelas de sacada, com bacias em cantaria e guardas em ferro forjado. O vão central, o mais nobre, é encimado por um pequeno frontão triangular assente em duas pilastras. Neste frontão foi colado o registo de azulejos de 1940, referido nos edifícios anteriores. O último piso, o dos quartos, mostra ao centro, no alinhamento da porta principal e da varanda nobre, uma elegante janela geminada, rematada por dois arcos de volta perfeita, com um varandim de bacia saliente e guardas em ferro forjado. Sobre esta janela avulta a pedra de armas. Esta janela é ladeada por dois pares de janelas retangulares com guardas em ferro forjado. O edifício é rematado por uma balaustrada cerâmica e, ao centro, por uma mansarda com revestimento em escamas de barro cozido.

No prolongamento deste pano de fachada, enquadrado entre dois arcos botantes da Igreja da Misericórdia, apresenta-se uma fachada mais baixa que a anterior, mostrando um portão ao nível do piso térreo e duas janelas sobrepostas. A janela que fica imediatamente por cima do portão é resguardada por um gradeamento em ferro forjado. No topo, este pano de fachada é rematado por uma platibanda decorada com ovais cegas, que serve de guarda a um dos terraços do edifício.

Heráldica:

Escudo inglês, partido, o primeiro com as armas dos Aboim (esquartelado: o primeiro e o quarto, xadrezado de ouro e azul, o segundo e o terceiro, de ouro com três palas de azul); o segundo com as armas dos Lacerda (partido, o primeiro fendido de vermelho com um castelo de ouro, e de prata com um leão de púrpura, e o segundo de azul semeado de flores-de-lis de ouro). Elmo cerimonial com viseira de grades e paquife. Timbre dos Aboim: um retângulo com o xadrezado do primeiro quartel, sustentado por dois braços vestidos de azul.

Agradecimento:O autor agradece a disponibilidade e colaboração do arquiteto Francisco Lobo de Vasconcellos.

Bibliografia:

CESÁRIO, G. J. (2007) – Memórias do Passado, Momentos do Presente (catálogo da exposição da CMSC realizada na Feira do Monte de 2007 em Santiago do Cacém). Santiago do Cacém: Ed. Câmara Municipal de Santiago do Cacém.

CESÁRIO, G. J. (2008) – 1755. O Terramoto de Todos os Santos em Santiago do Cacém. Santiago do Cacém: Ed. Junta de Freguesia de Santiago do Cacém.

CESÁRIO, G. J. (2008) – 1808. Santiago do Cacém e a 1ª Invasão Francesa. Santiago do Cacém: Ed. Junta de Freguesia de Santiago do Cacém.

FALCÃO, J. A. (1991) – Património Construído e Urbanismo de Santiago do Cacém: Subsídios para um Ensaio de Enquadramento Histórico. Documento não publicado, consultável no Centro de Documentação do Gabinete de Reabilitação Urbana e Património da Câmara Municipal de Santiago do Cacém.

FREIRE, A. B. (1921) – Brasões da Sala de Sintra, Livro Primeiro, 2ª Ed. Coimbra: Imprensa da Universidade.

LIMA, J. F. L. Falcão de (2009) – Gente de Entre Searas e Montados. Lisboa: Guarda-Mor.

SOARES, C. (s/d) – Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém: Breves Notas para a sua História. [Santiago do Cacém]: Ed. Santa Casa da Misericórdia de Santiago do Cacém.

SOUSA, Manuel de (2001) – As Origens dos Apelidos das Famílias Portuguesas. Mem Martins: SPORPRESS – Sociedade Editorial e Distribuidora, lda.

Webgrafia:

CESÁRIO, G. J. – Palacete Aboim (Parreira) de Lacerda, em Santiago do Cacém. Património & História [Em linha]. [Consult. julho/2014]. Disponível em http://www.patrimonius.net/detalhes.php?i=2149.

COELHO, Francisco – Tombo das armas dos reis e titulares e de todas as famílias nobres do reino de Portugal intitulado com o nome de Tesouro de nobreza (1675) DGARQ [Em linha]. [Consult. julho/2014]. Disponível em http://digitarq.dgarq.gov.pt/default.aspx?page=regShow&searchMode=bs&ID=4162408

GODINHO, A. – Livro da nobreza e da perfeição das armas dos reis cristãs e nobres linhagens dos reinos e senhorios de Portugal (1521). DGARQ[Em linha]. [Consult. julho/2014]. Disponível em http://digitarq.dgarq.gov.pt/default.aspx?page=regShow&searchMode=bs&ID=4162407

Heraldic Atlas[Em linha]. [Consult. julho/2014]. Disponível em http://www.heraldica.org/topics/glossary/atlas.htm

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Heráldica – Wikipédia[Em linha]. [Consult. julho/2014]. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Her%C3%A1ldica

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Gentil José Cesário

Fig. 1 – Palacete Aboim e (Parreira de) Lacerda – Fachada. A. desconhecido/CMSC, S/data (década de 80 do século XX).

Fig. 2 – Palacete Aboim e (Parreira de) Lacerda – Porta principal. José Matias/CMSC, 2001.

Fig. 3 – Palacete Aboim e (Parreira de) Lacerda – Mansarda. José Matias/CMSC, 2001.

Fig. 4 – Palacete Aboim e (Parreira de) Lacerda – Janela geminada. José Matias/CMSC, 2001.

Fig. 5 – Palacete Aboim e (Parreira de) Lacerda – Brasão. José Matias/CMSC, 2006

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